Violência sexual infantil nas festas de família: como prevenir e proteger crianças e adolescentes

As festas de família costumam ser associadas à alegria, aos reencontros e à sensação de pertencimento. No entanto, é fundamental falar sobre um tema delicado e necessário: a prevenção da violência sexual infantil durante as festas familiares.

Diversos estudos e a prática clínica mostram que a maioria dos abusos sexuais contra crianças não acontece por desconhecidos, mas dentro da própria família ou no círculo de confiança. Por isso, falar sobre prevenção não é exagero — é cuidado, responsabilidade e proteção.

Por que as festas de família aumentam o risco de violência sexual infantil?

Durante festas e feriados, a rotina muda. Há mais pessoas circulando, consumo de álcool, menos supervisão direta e crianças dormindo fora do ambiente habitual. Esses fatores podem aumentar situações de vulnerabilidade, especialmente para crianças pequenas.

A prevenção começa quando os adultos compreendem que proteger não é desconfiar de todos, mas estar atento às situações.

Violência sexual infantil: a responsabilidade é sempre dos adultos

Crianças nunca são responsáveis por abusos. Elas não provocam, não consentem e não inventam. A responsabilidade pela prevenção e pela proteção é sempre dos adultos.

A prevenção da violência sexual infantil passa por atitudes simples, mas consistentes:

• presença ativa
• observação atenta
• comunicação clara
• escuta sem julgamento

Atenção aos momentos íntimos durante as festas

Momentos como banho, troca de roupa e hora de dormir exigem atenção redobrada, especialmente fora da rotina.

Recomendações importantes:

• Evite que crianças durmam sozinhas no quarto de adultos ou adolescentes que não sejam de total confiança
• Sempre que possível, os cuidados íntimos devem ser feitos pelos próprios responsáveis
• Caso isso não seja possível, defina claramente um adulto de confiança e explique isso à criança

Esses cuidados reduzem significativamente o risco de violência sexual e abuso infantil.

Ensinar consentimento desde a infância protege a criança

Falar sobre consentimento não sexualiza a infância. Pelo contrário, é uma das principais formas de prevenção do abuso sexual infantil.

A criança precisa aprender que:
• o corpo é dela
• ela pode dizer “não”
• beijos, abraços e toques não são obrigatórios
• nem mesmo com familiares

Respeitar os limites da criança é proteção, não falta de educação. Sinais de abuso sexual infantil: fique atento ao comportamento.

Nem sempre a criança consegue falar sobre o que está vivendo. Muitas vezes, o sofrimento aparece por meio do comportamento.

Alguns sinais de alerta:
• ansiedade, medo ou tristeza sem causa aparente
• mudanças bruscas de comportamento
• regressões (voltar a fazer xixi na cama, por exemplo)
• isolamento ou silêncio excessivo
• recusa em ficar perto de uma pessoa específica

Qualquer sinal de mal-estar deve ser levado a sério.

Criar um ambiente seguro para que a criança possa falar

Dizer à criança que ela pode procurar um adulto a qualquer momento é importante. Mas mais importante ainda é agir de forma coerente quando ela se aproxima.

Escutar, acreditar e proteger são atitudes fundamentais. A confiança se constrói quando a criança percebe que será levada a sério. Prevenção da violência sexual infantil é um dever coletivo. As festas podem e devem ser momentos de alegria. Mas isso só é possível quando crianças e adolescentes estão seguros.

Muitas crianças não conseguem pedir ajuda.
Por isso, a responsabilidade é sempre dos adultos.

Proteger também é um ato de amor.

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Camila

Eylenbosch

Psicólogo(a), Psicoterapeuta, Consultor(a) em relacionamentos, Mediador(a), Coordenador(a) de pais